sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O SIGNO PEIRCEANO

REFERÊNCIA

SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. São Paulo: Brasiliense, 1983.

"O signo é uma coisa que representa uma outra coisa: seu objeto. Só é signo se carregar essa capacidade de representar outra coisa. O signo não é o objeto – não pode se confundir com o objeto." (p.58)
  • Uma foto representa o objeto fotografado (pessoa, paisagem etc.). Essa foto não é o objeto e só pode funcionar como signo justamente porque carrega a capacidade de substituir/representar seu objeto.
"O significado de um signo é sempre um outro signo — seja este uma imagem mental ou palpável, uma ação ou mera reação gestual, uma palavra ou um mero sentimento de alegria, raiva... uma ideia, ou seja lá o que for — porque esse seja lá o que for, que é criado na mente pelo signo, é um outro signo (tradução do primeiro)". (p.59)
  • Trata-se do caráter dinâmico do signo. Como somos seres de linguagem — porque só nos expressamos por meio de uma linguagem —, o resultado de uma interpretação será sempre outro signo, sujeito também a ser interpretado, e assim sucessivamente.
"O signo é um complexo de relações" (p.61).

Santaella explica que o signo não é uma coisa monolítica. Podemos dizer que ele é o resultado de uma relação complexa entre representação (a coisa que se mostra) e interpretação (o que se entende sobre essa coisa).
Entre essas duas instâncias (a da representação e a da interpretação), há uma série de interferências socioculturais, políticas etc. que criam condições tanto para a existência do signo quanto para a nossa interpretação. Pensemos, por exemplo, como a pomba branca passou a simbolizar a paz. Mesmo que não saibamos a história dessa representação, sabemos o suficiente para entender que se trata de uma criação humana. Além disso, ainda na instância da representação, sabemos que a pomba branca é símbolo de uma ideia de paz.
A canção Minha Alma (A paz que eu não quero) do grupo O Rappa questiona essa ideia de paz, o que significa que essa ideia também é um signo (igualmente simbólico).

Agora pensemos em nossa interpretação: por que nós associamos a imagem de uma pomba branca à paz? Por que entendemos "paz" mais ou menos do mesmo jeito? A resposta está ligada à nossa formação cultural, ao fato de essa associação ser convencional e de se repetir tanto a ponto de se criar uma relação que supomos "natural" (embora seja arbitrária) entre a imagem da pomba e essa ideia de paz.

A CONSTITUIÇÃO DO SIGNO SEGUNDO PEIRCE

Para Peirce, o signo se constitui a partir de três elementos:
  • Representamen: aquilo que funciona como signo para quem o percebe;
  • Objeto: aquilo que é referido pelo signo;
  • Interpretante: o efeito do signo naquele (ou naquilo, incluindo outros seres vivos ou dispositivos comunicativos inumanos, como os computadores) que o interpreta, dentro de um contexto de significação; “processo relacional que se cria na mente do intérprete” (p.57).
Ocorre que, na semiótica peirceana, um signo tem dois objetos e três interpretantes.
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Considerando que o representamen (o que se mostra do signo) é o círculo, temos um "complexo de relações", constituído pelos seguintes elementos:

Objeto dinâmico: aquilo que é substituído. O objeto “em si”.
Objeto imediato: modo como o objeto dinâmico está representado no signo.
Interpretante imediato: aquilo que o signo está apto a representar na mente do intérprete; virtualidade do signo; sua capacidade de representar algo.
Interpretante dinâmico: aquilo que o signo produz na mente do intérprete.
Interpretante em si: tradução do signo anterior em um outro signo. Esse outro signo, de caráter lógico, consiste não apenas no modo como uma mente reage ao signo, mas no modo como qualquer mente reagiria, dadas certas condições.

Um comentário:

Anônimo disse...

semiotica é dificil, ainda não entendi os interpretantes