segunda-feira, 21 de outubro de 2013

AS TRICOTOMIAS PEIRCEANAS
Classificação dos signos

Referência:
SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. São Paulo: Brasiliense, 2007.

A partir da divisão das partes que interagem na constituição do signo, Peirce estabeleceu classificações triádicas (tricotomias) dos tipos possíveis de signos (2007, p.83).

As três tricotomias mais conhecidas consideram a relação:

1º) do signo consigo mesmo (ou seja, seu representâmen);
2º) do signo com seu objeto (dinâmico);
3º) do signo com seu interpretante.



1ª TRICOTOMIA (signo em relação a si mesmo): organiza os signos a partir das características do representâmen (do próprio signo).
- O quali-signo é uma qualidade sígnica imediata, tal como a impressão causada por uma cor. O quali-signo é uma espécie de pré-signo, pois se essa qualidade se singulariza ou individualiza, ela se torna um sin-signo.
Ex.: as impressões que as cores azul e rosa podem causar em um indivíduo, antes de singularizadas, são quali-signos, meras sensações ou qualidades.

- O sin-signo é o resultado da singularização do quali-signo. A partir de um sin-signo pode-se gerar uma ideia universalizada (uma convenção, uma lei que substitui o conjunto que a singularidade representa), tornando-se assim um legi-signo.
Ex.: se o indivíduo acha que as sensações são de seriedade, para o azul, e de de-licadeza, para o rosa, é porque ele percebe essas cores dessa forma singular.

- O legi-signo é o resultado de uma impressão mediada por convenções, por leis gerais estabelecidas socialmente.
Ex.: a idéia geral de que "azul transmite seriedade e deve ser associada ao sexo masculino" e "rosa transmite delicadeza e deve ser associada ao sexo feminino" é uma convenção. Essa idéia se tornou uma lei geral, culturalmente convencionada em nossa sociedade. Trata-se agora de um legi-signo.

2ª TRICOTOMIA (signo em relação ao objeto dinâmico): organiza os signos conforme a relação entre ele e o objeto que ele substitui.
- O ícone representa uma parte da semiose em que se destacam alguns aspectos qualitativos do objeto. O ícone é o resultado da relação de semelhança ou analogia entre o signo e o objeto que ele substitui.
Ex.: um retrato ou uma caricatura são semelhantes aos objetos que eles substituem; eles são signos icônicos.

- O índice, assim como o sin-signo, resulta de uma singularização. Um signo indicial é o resultado de uma a relação por associação ou referência. A categoria indicial se evidencia pelo vestígio, pelos indícios.

Ex.: rastros de pneus, pegadas ou cheiro de fumaça não se parecem com os objetos que eles substituem (pneus, animais ou a fumaça), mas nós associamos uns aos outros, respectivamente; são exemplos de signos indiciais.



- O símbolo resulta, tal como o legi-signo, da convenção. A relação entre o signo e o objeto que ele representa é arbitrária, legitimada por regras.
Ex.: a pomba branca é símbolo de paz, um retângulo verde com um losango amarelo, círculo azul e estrelas é um dos símbolos do Brasil, mas em nenhum des-ses casos há relação de semelhança ou de associação singular; trata-se de regras, leis convenções.


3ª TRICOTOMIA (relação entre o signo e o interpretante): organiza os signos a partir da sua relação com as significações desse signo.

- Em lógica formal, o rema corresponde ao que se chama de termo, isto é, um enunciado impassível de averiguação de verdade. Uma palavra qualquer ("menino", por exemplo) fora de um contexto sintático é um rema.
- Se a palavra "menino" se insere em uma sentença, como em "o menino está doente", podemos verificar seu grau de veracidade. Em lugar de um termo, temos uma sentença; em Semiótica, essa sentença chama-se dicente (dici-signo ou dissisigno). Investigamos se o menino está verdadeiramente doente porque a sentença não nos forneceu os motivos pelos quais se afirmou isso, mas temos elementos para tal averiguação.
- Se houvesse informações comprobatórias, não se trataria mais de um dicente, mas de um argumento. A sentença "O menino está doente porque apresenta manchas vermelhas e temperatura alta” traz um raciocínio completo, justificado, com caráter conclusivo. Nesse caso, temos então um argumento.

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